voilà mon essence...
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
eu não encho mais a casa de alegria... :: 144
.
não me encaixei
em nenhuma das lacunas
me espremi,
me tornei de todo jeito...
,
não houve jeito
para ser imaginado:
sou palavra fora de dicionário
!
vai e diz, diz assim, que eu chorei, que eu morri de arrependimento... :: 143
...
eu vi no fim da tarde
o seu passo cansado pra casa
.
e o meu choro preso
daquilo que já se foi e que não volta mais
.
nem que pegasse o caminho mais longo...
nem que eu chorasse até alagar a rua
e me ilhasse nesse esperar...
o amor é grande e cabe no breve espaço de beijar... :: 142
::
tem cidades que merecem ser beijadas
tem lugares que merecem ser amados
tem amores que precisam ser vividos
e desejos que extrapolam ser sentidos
.
acreditou, hoje mesmo
poder ser paris
o rio de janeiro
vermelhos são seus beijos, quase que me queimam... :: 141
¨
fotografou fragmentos do corpo:
seio esquerdo nádega direita umbigo boca
.
pensou que cada corpo nu extrapola sua beleza
no que tem de poesia desvendada
.
e cada parte fotografada enviou para o antigo amante
junto com uma caixa
impregnada do cheiro daquele instante...
sou mais macho que muito homem... :: 140
.
deslumbrara-se numa paisagem errante...
que era o próprio espelho de casa
.
não gostava
.
nem de todo desgostava...
.
parecia uma lagoa rasa:
de perto logo se via o fundo
e pouco mais perto, se perdia no próprio mundo
.
e vê se me dá o prazer de ter prazer comigo... :: 139
;
reféns do narrativo
nunca oralizado
.
fuzila em tiros de cores
os bichos que vivem em seu interior
sangrento e frio
.
narrativa sem sentido não é história contada
é só sequência de acontecimentos perdidos
rompi com o mundo, queimei meus navios... :: 138
::
esperava que as portas se abrissem mas, o sensor não funcionou
foi de encontro ao vidro
.
soco duro da cabeça na transparência
,
olhos cintilaram de ambos os lados
e então agarrou-se como uma ventosa
...
a porta abria e fechava freneticamente, mas se acostumara ao movimento
e nunca mais se seduziu pelo vão de ar
.
você disse que não sabe se não, mas também não tem certeza que sim... :: 137
.
peculiar espacialidade doméstica
:
peças impecavelmente modernas
ao lado de eletrônicos ultrapassados,
objetos de arte de colecionador
junto do sofá de chenile puído há mais de década
.
conforto, explicou
.
enquanto aguardava a tv de válvula esquentar para ver seus filmes anos 40...
sábado, 3 de agosto de 2013
diz quantos desastres tem na minha mão, diz se é perigoso a gente ser feliz... :: 136
::
eis que o todo vira parte
.
e dorme com mãos de pedra
que afundam no lençol macio até o chão
.
quanto mais se preserva
mais está exposta
nesse texto que parece uma leitura de mão
imposta
.
.
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