segunda-feira, 18 de março de 2013

é só balançar que a corda me leva de volta pra ela... :: 112


o guarda-roupa era um mistério
lá ficava guardado o brilho que eu gostava de beber
e os desenhos das crianças, pregados com durex
.
na desorganização charmosa das estampas florais e listradas
eu afundava minha cabeça
e cheirava - o odor era único: perfumaria da mesbla
.
foi ali, naquelas visitas às escondidas que decidi tornar-me também mulher

nenhum aquário é maior do que o mar... :: 111

 .
eu jogo a rede
mas na lagoa os peixes urbanos estão mortos...
.
o sol já sai de aquário
numa  aurora boreal
de um rastro de luz em cenário
.
então, jogo a rede ao ar
e ainda restam vivos mil amigos imaginários
.


lá tem jesus, e está de costas... :: 110



não adianta...
.
lixo reciclado
alimento orgânico
café descafeinado
madeira reflorestada
água reaproveitada
.
...se o ego não te permitir ser autosustentável.

mas é carnaval, não me diga mais quem é você... :: 109


você me conheceu outra, ela disse
por quê? ele questionou. não parece mudada...
mas mudei, disse enquanto passava o batom no espelho
passei a olhar-me como sou e não como imaginava que fosse, afirmou
ele tragou mais uma vez o cigarro
nada falou e saiu
::
gostava mesmo era daquela imagem fantasiada do espelho

ela era branca, branca. dessa brancura que não se usa mais... :: 108



invento histórias impossíveis
com personagens improváveis
e passo dias orbitando
em acontecimentos inviáveis
que se dão em mundos desconhecidos
onde o destino é guiado apenas pelas minhas vontades...
::
até que como uma maçã envenenada e volto pra realidade

segunda-feira, 11 de março de 2013

cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é... :: 107



pessoas não vêm com legenda
em geral
.
e eu, tão literal
me escrevo na testa mesmo
depois fico em crise emocional
por ser analfabeta dessa gente
que mal sabe se redigir nas entrelinhas da própria mente
.
.

nem ficar tão apaixonada, que nada, que não sabe nada, que morre afogada por mim... :: 106

 
há qualquer coisa
nessa conversa fiada
que bate uma vontade danada
de arriscar o trabalho de amanhã de manhã,
atravessar a linha do equador
e terminar o domingo contigo
no arpoador...

só que quando anoitece é festa no outro apartamento... :: 105


e essa multidão 
que canta dança e come
na festa do andar de baixo
faz o mundo ser mais vazio
o silêncio mais surdo
a existência mais desconexa
.
a festa do vizinho pôe a prova a nossa própria vida: é dia de suicídio emocional

leitederramado :: 104


chorou
todos os amores antigos
chorou todos de uma vez só
todas as desilusões, todas as rejeições
todos os beijos perdidos, todos os carinhos achados
.
chorou a saudade mesmo
essa que fere e não cicatriza nem com amor novo e feliz

o tempo está virando, pai, me deixa respirar o vento, vento... :: 103


!
ah, os quadros... os ventos sempre os tiram de lugar.
rio, acho graça em vê-los levemente desalinhados...
permito-me deixá-los assim por algum tempo:
na vida nada é perfeito mesmo... depois arrumo, ponho em ordem.
aquilo que tentei por anos me iludir de que fazia com destreza:
arrumar a casa e pôr ordem na vida.

voilà!

um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar... :: 102



e esse hiato transformou
.
a saudade em amor, a esperança em futuro e o passado em presente
.
o afastamento exalta as emoções e torna o amigo distante, o mais importante
o lugar do outro lado do rio, o mais bonito
e as horas do fuso de lá, passam mais depressa e com mais constância
.
é confuso:
tenho mais medo do tempo do que das distâncias

sábado, 9 de março de 2013

te ver não é mais tão bacana quanto a semana passada... :: 101

 :
o desapontamento confundiu sua mente
e tentou retroceder e rever o dia:
gestos, palavras, toques... nada mais sente.
o que houve afinal?!
.
esse misto de alívio e delicada rejeição
qualquer poeta sabe disso: pra ser paixão
tem que ser passageira mesmo... passei, então.
.

segunda-feira, 4 de março de 2013

um só minuto, no entanto (...) quantos segundos de espanto! :: 100

 ::
por favor, um minuto de silêncio!
.
pelos dias passados
pela saudade esquecida
pela surpresa do choro espremido
pelo botão apertado das memórias acumuladas
pelo resto que ainda virá
.
um silêncio de minuto, favor pôr...
.

na lua cheia tá doida, apaixonada não sei por quem... :: 099


linda como uma flor,
o ser no seu presente contenta
e imersa numa paisagem paradisíaca...
cansou de ser oferenda
.
[iemanjá que nos proteja]
no último fim de tarde
.
 solenemente entregou-se de vez ao mar covarde